7 de ago de 2009

Chapeuzinho - Versão 1

A versão que dará início a essa série de postagens é a primeira adaptação, ao menos foi o que pude encontrar até onde meus parcos estudos me levaram, de Chapeuzinho Vermelha, escrita por Charles Perraut, incluída em 1695 num manuscrito intitulado “Contes de ma mère Loye” e publicada, em 1697, em “Contes et histoires du temps passé, Avec des moralités”.


(Ao lado, foto de Charles Perrault)

O Capuchinho Vermelho – versão de Charles Perrault

Era uma vez uma jovem aldeã, a mais bonita que fosse dado ver; a sua mãe era louca por ela e a avó mais ainda. Esta boa mulher mandou fazer-lhe um capucho vermelho, que lhe ficava tão bem que em todo o lado lhe chamavam Capuchinho Vermelho.
Um dia a mãe, tendo cozido pão e feito bôlas, disse-lhe: «Vai ver como está a tua avó, porque me disseram que está doente; leva-lhe uma bôla e este potinho de manteiga».
Capuchinho Vermelho partiu imediatamente para a casa da avó, que morava numa outra aldeia. Ao passar num bosque encontrou o compadre Lobo, que tinha muita vontade de comê-la, mas não se atrevia a tal por causa de alguns lenhadores que estavam na floresta. Perguntou-lhe aonde ela ia; a pobre criança, que não sabia que é perigoso deter-se para escutar um Lobo, disse-lhe:
«Vou ver a minha avó e levar-lhe uma bôla com um potinho de manteiga que a minha mãe lhe manda».
«Ela mora muito longe?» perguntou o lobo. «Ó! Sim», disse Capuchinho Vermelho, «é para lá do moinho que vê lá mesmo ao fundo, ao fundo, na primeira casa da aldeia». «Pois bem», disse o Lobo, «eu também quero ir vê-la; vou por este caminho e tu vai por aquele, a ver quem chega lá primeiro».
O Lobo desatou a correr com toda a força pelo caminho mais curto e a jovem foi pelo caminho mais longo, entretendo-se a colher avelãs, a correr atrás das borboletas e a fazer ramos com as florezinhas que encontrava.
O Lobo não demorou muito a chegar a casa da avó; bate à porta: Toc, toc. «Quem está aí?» «É a sua pequena, Capuchinho Vermelho», disse o Lobo disfarçando a voz, «que lhe traz uma bôla e um potinho de manteiga que a minha mãe lhe manda».
A boa avó, que estava de cama por se achar adoentada, gritou-lhe: «Puxa a cavilha, que o trinco cairá».
O Lobo puxou a cavilha e a porta abriu-se. Ele atirou-se à velhinha e comeu-a em menos de nada; porque há três dias que não comia. Depois fechou a porta e foi-se deitar na cama da avó, à espera de Capuchinho Vermelho, que algum tempo depois veio bater à porta. Toc, toc. «Quem está aí?»
Capuchinho Vermelho, que ouviu a voz grossa do Lobo, primeiro teve medo, mas pensando que a avó estivesse constipada, respondeu: «É a sua pequena, Capuchinho Vermelho, que lhe traz uma bôla e um potinho de manteiga que a minha mãe lhe manda».
O Lobo gritou-lhe, adoçando um pouco a voz: «Puxa a cavilha, que o trinco cairá». Capuchinho Vermelho puxou a cavilha e a porta abriu-se. O Lobo, vendo-a entrar, disse-lhe enquanto se escondia sob a colcha: «Põe a bôla e o potinho de manteiga em cima da masseira e vem deitar-te comigo». Capuchinho Vermelho despe-se e vai meter-se na cama, onde ficou muito espantada de ver as formas da avó em camisa de noite; e disse-lhe:
«Avó, que grandes braços tem!»
«É para melhor te abraçar, minha filha.»
«Avó, que grandes pernas tem!»
«É para correr melhor, minha pequena.»
«Avó, que grandes orelhas tem!»
«É para escutar melhor, minha pequena.»
«Avó, que grandes olhos tem!»
«É para ver melhor, minha pequena.»
«Avó, que grandes dentes tem!»
«É para te comer.»
E, ao dizer estas palavras, o Lobo malvado atirou-se sobre Capuchinho Vermelho e comeu-a.

Moralidade
Vê-se aqui que crianças jovens, sobretudo moças belas, bem feitas e gentis, fazem muito mal em escutar todo o tipo de gente; e que não é coisa estranha que o lobo tantas delas coma. Digo o lobo, porque nem todos os lobos são do mesmo tipo. Há os de um humor gracioso, subtis, sem fel e sem cólera, que — familiares, complacentes e doces — seguem as jovens até às suas casas, até mesmo aos seus quartos; mas ai! Quem não sabe que estes lobos delicodoces são de todos os lobos os mais perigosos.

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Notaram que o conto possui final trágico? Isso porque ele, originalmente, não tinha a pretensão de ser um "conto de fadas" ou uma "história maravilhosa", ao contrário, foi criado para que os aldeões ensinassem suas filhas virgens a não conversar com estranhos, pretendendo educar pelo medo da morte.

3 comentários:

  1. Há! Que coincidência, a foto da Chapeuzinho Vermelho ficou bem ao lado da foto da Camila. rsrs que gracinha!!!

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  2. rsrsrsrs...aconteceu uma "coincidencia" enorme ai tambem com as duas historias,esta e a que montamos...notou a moralidade??

    historias...sou fascinada por elas...e tudo sempre acaba no palco..."a vida imita a arte e a arte imita a vida!"

    bjooooooooooooooo's plenitudianos!

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  3. Maravilhoso...No mínimo espero que nossos Plenitudianos estejam visitando este nosso espaço, obrigado sempre Maiara...Isto faz parte da COSNTRUÇÃO DE UMA PERSONAGEM. Quanto mais sabemos, mais tudo se torna real.

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Tuas palavras são mundos!

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